“Uma escuta telefónica de 17 minutos, feita a uma pessoa envolvida no caso Freeport, inclui uma afirmação que liga o alegado pagamento de ‘luvas’ a José Sócrates. A intercepção remonta a 9 de Fevereiro de 2005.”
“A passagem em forma de desabafo – «vão mas é chatear o Sócrates porque ele é que recebeu os 500 mil» – é descrita pela inspectora titular da investigação, Carla Gomes, durante uma inquirição. A escuta já existia quando, na altura, a direcção nacional da PJ e a Procuradoria-Geral da República se apressaram a afirmar que Sócrates não constava do processo.”
“Se nós tivéssemos tribunais que julgassem, políticos que não fossem corruptos isto era diferente”.
“O país está ao serviço dos partidos políticos. Os partidos políticos não têm interesse em resolver os problemas de fundo. Os partidos políticos são basicamente bancos alimentares. Estes partidos têm de viver na manjedoura estadual.”
“Isto é um país?! Isto é uma brincadeira!”
“A Casa da Música no Porto, a ponte do Mondego em Coimbra, o Centro Cultural de Belém… tudo custa duas três vezes mais. Já viu alguém ser investigado?! Houve gente que ficou com dinheiro.”
“Nós estamos a endividar-nos 48 milhões de euros por dia. O senhor vê este país viver bem? Não vê. Isto esfuma-se tudo aí por sítios que a gente nem sabe quais são. E isto continua.”
“Nós estamos ao mesmo nível de 1900-1910.”
“O senhor não conhece um político, um homem da bola ou um homem de empresas, nomeadamente os bancos, que tenha ido para a cadeia. Nada. Não acontece nada. Os casos abrem-se, os senhores passam aí os dias a transmitir tretas e depois vai-se esfumando, esfumando e depois toda a gente se esquece de tudo.”
“Ficar com o dinheiro alheio, como diz o António Barreto, é não ser parvo. Parvos são os que não ficam com o dinheiro. E portanto o país está nisto.”
“Já tive um caso nos tribunais 23 anos. O senhor acha que isto é um país a sério? (…) Nós andamos a viver de tretas: é o Magalhães… (…) Nós andamos a viver de aparências. O país anda a ser distraído, o país anda a ser embebedado pela classe política.”
“A maioria absoluta é uma coisa excelente para gente competente, para gente sensata, para gente humilde. Este governo não tem nenhuma característica destas.”
Apesar de não simpatizar com o primeiro-ministro tenho de demarcar-me do que é dito na letra desta música, não vá o Sócrates acusar-me também de calúnia, injúria e difamação.
Vale a pena ler um artigo excelente do Mário Crespo no Jornal de Notícias intitulado “Está bem… façamos de conta”. De facto é impressionante relembrar tudo o que sabemos sobre José Sócrates. E tudo isto se torna ainda mais grave quando verificamos que, se as eleições fossem hoje, José Sócrates voltaria a ganhar.
Não resisto a publicar aqui alguns excertos do artigo:
“Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?).”
“Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês.”
“Façamos de conta que o “Magalhães” é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação.”
“Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo.”
“Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport.”
“Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por “onde é que eu ia começar” a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal.”
A Juventude Social-democrata afixou hoje um outdoor que, sob o título “Pinócrates”, exibe uma montagem fotográfica do primeiro-ministro José Sócrates com um nariz de Pinóquio e lhe atribui a promessa incumprida de criar 150 mil novos postos de trabalho.