Ser mãe ou ter sucesso?
A tenista belga Kim Clijsters, de 26 anos, provou que é possível ser mãe e ter sucesso, ao vencer este Domingo o Open dos Estados Unidos. Clijsters já tinha ganho o Open dos Estados Unidos em 2005, antes de pôr fim à carreira em Maio de 2007. Após uma pausa de dois anos, durante a qual foi mãe, regressou à competição em Agosto e foi convidada para participar no último torneio do Grand Slam da época.

Convidada pela organização e sem pontuação no ranking mundial, Clijsters tornou-se a primeira atleta convidada a conquistar o Open dos Estados Unidos e a terceira mãe a conquistar um torneio na história do Grand Slam. Em lágrimas, a tenista foi receber o prémio com a sua filha Jada, de 18 meses, que assistiu, tal como o pai, à partida nas bancadas do Arthur Ashe Stadium.
Era bom que Kim Clijsters servisse de exemplo mas duvido que isso aconteça. Para muitas jovens de hoje, ser mãe é chato. Não é uma dádiva, é um fardo. A agravar isto vem a ideia da igualdade de género, que chega a ser levada ao extremo ao acharem injusto só elas estarem biologicamente preparadas para ter filhos.
A par destas ideias absurdas, assistimos ao adiar da maternidade em função da carreira profissional ou até à opção de não ter filhos. Como se pode ver na tabela acima, de 2000 a 2008 aumentou quase dois anos a idade média da mãe ao nascimento do primeiro filho, de 26,5 para 28,4. Já a quem toma a opção de não ter filhos digo o seguinte: se derem um tiro na cabeça, geneticamente é a mesma coisa. Quem nunca teve filhos, quer viva 100 anos ou morra à nascença, tem o mesmo impacto na genética populacional. É um zero. É como se nunca tivesse existido porque os seus genes não são passados às gerações seguintes.
Setembro 15th, 2009 at 10:43
Ser pai ou ser mãe não se resume a variáveis genéticas. Nem tudo que se passa à geração seguinte está no ADN (felizmente!!). Por algum motivo o ser humano não é fruto de meros factores biológicos mas também depende de condicionantes psicossociais.
Outra questão: quem não assume maternidade/paternidade deve cometer suicidio! Inúmeras variáveis condicionam o ser pai ou ser mãe; é uma visão muito reducionista a exposta. Mas voltando ao mundo real acho exagerado o conceito reduccionista de ser mãe como ser “chato” ou “uma dádiva”. Ser mãe ou ser pai como é óbvio terá sempre os seus momentos duros/chatos e a recompensa que decorre da maternidade. Será que toda a gente pensa nisso quando decide ter uma vida sexual activa sem reflectir que pode acontecer uma gravidez? É que sempre tem o lado bom aumenta a natalidade e recebe um título de “geneticamente significativo”. Ah e a criança? Pois não se pensou nisso…
A disciplina de genética durou quê uma semana ou duas a ser leccionada? Ser mãe ou pai costuma (embora já se assista na tv a devoluções) ser um acto para a vida toda….
É de louvar quem felizmente reconhece não ter competências ou disponibilidade (económica, emocional…) para assumir tal responsabilidade e não coloca uma criança neste mundo só para ser geneticamente significativo ou… para receber subsídios da segurança social. Isso sim seria um acto extremamente egoista…
Inúmeras crianças necessitam de adopção e agora reflecte mesmo se quem cuida deles, sem a opção de ter filhos biológicos (que seguramente não entra nesses dados estatísticos!), deveria dar um tiro na cabeça?