Abr 01

Farmacêuticos alteram prescrições de médicos

Publicado por Hugo Cadavez a 1 de Abr de 2009 às 1:42 Partilhar no Facebook

É isto é o que a ANF pretende que os farmacêuticos passem a fazer nas farmácias. Isto é, se um médico prescreve um medicamento de uma determinada marca, mesmo não permitindo a sua substituição por um genérico, o farmacêutico, segundo a ANF, poderá ou deverá dispensar um medicamento genérico.

Só posso dizer que isto é absurdo! Nem percebo como é possível que alguém venha dizer que um farmacêutico pode ou deve alterar uma prescrição de um médico. Afinal quem é o médico?

Desengane-se quem pensa que isto tem a ver com a redução de custos para o doente. Tudo isto tem a ver com o lucro das farmácias já que há casos em que “pela venda de uma embalagem de um produto genérico, são oferecidas quatro à farmácia“.

“Portanto, a firme defesa dos genéricos pelo Dr. João Cordeiro, não é ingénua, nem muito menos, filantrópica.”

A ANF pretende até que a prescrição seja apenas por DCI e que seja o farmacêutico a escolher a marca / laboratório melhor para o doente, que é o mesmo que dizer, o que dá mais lucro à farmácia!

“Na questão do medicamento, quem o dispensa sob retribuição monetária e como isso lucra (como é normal) não deverá ter qualquer qualquer papel no aconselhamento.”

Sol: Farmacêuticos atiram responsabilidade para doentes
Saúde SA: Genéricos, mercado selvagem

2 comentário a “Farmacêuticos alteram prescrições de médicos”

  1. Mariana

    No entanto, não nos vamos esquecer de que os médicos receitam medicamentos do laboratório que lhes paga mais viagens. Devemos mesmo relembrar que os médicos são aliciados por laboratórios farmacêuticos para que passem determinados medicamentos, em troca de viagens pelo mundo fora. Não vamos esquecer que as entidades prescritoras, muitas vezes, receitam medicamentos sem ter em conta a situação económica do paciente mas sim, claro está, as suas viagens às Caraíbas.

    Nas farmácias, a primeira coisa que os utentes perguntam é “quanto custam os medicamentos?”, sendo que, não raramente, os prescritos pelos médicos são demasiado caros para algumas carteiras. Daí ser vantajosa a troca por parte dos farmacêuticos. Quantas vezes não me deparei, enquanto utente, com velhinhas a chorar por não terem dinheiro para pagar os medicamentos (caros!) prescritos. E, à custa disso mesmo, os médicos tinham viagens pagas a ilhas paradísiacas. À custa de receitar medicamentos de marca (e, eventualmente, arruinar carteiras) os médicos têm prémios monetários e viagens. Convém reiterar que os médicos também não estão muito preocupados com o doente. Será coincidência que os mesmos “doutores” prescrevem sempre medicamentos da mesma marca? Ahh, calma: não nos vamos esquecer que os médicos têm viagens pagas e outras regalias, por parte de laboratórios, à custa de receitarem determinados medicamentos. Desengane-se quem achar que os médicos passam medicamentos de marca porque querem o melhor para os doentes. Temos que ter em conta o factor das regalias por parte da indústria aos médicos.
    “Na questão do medicamento, quem o prescreve sob retribuição de regalias por parte de laboratórios e com isso tem viagens pagas, não deverá queixar-se por haver trocas na prescrição.”.

    Se não fosse pelas amaldiçoadas trocas, muito boa gente não teria dinheiro para pôr comida na mesa ao fim do mês. Gastaria o dinheiro todo a comprar os medicamentos de marca receitadas pelo médico…enquanto este usufruia das suas regalias por tais acções.

  2. Hugo Cadavez

    Se algum dia a prescrição por DCI for obrigatória o que vai acontecer é muito simples: as farmácias passam a ter em stock apenas os medicamentos que lhes dão mais lucro que poderão em muitos casos ser os medicamentos mais caros para o utente.

    Neste momento o médico tem a liberdade de escolher o medicamento e tal deverá manter-se para bem dos doentes. Naturalmente que isto pode implicar a escolha de uma marca ou de um laboratório em função de vários factores. Se não houver prejuízo para o utente, quer no preço quer na qualidade, é natural que o médico possa escolher a marca ou laboratório que traz mais benefícios ao colectivo, seja pelo maior investimento em investigação, pelo maior investimento em patrocínio na formação de profissionais de saúde ou outros motivos igualmente válidos. Além de estar totalmente dentro da legalidade, parece-me eticamente correcto.

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