Falso médico detido em Lousada
A Polícia Judiciária do Porto anunciou a detenção de um homem de 42 anos de idade, pelo exercício de medicina, na zona de Lousada, sem que para tal possuísse quaisquer habilitações.
Em resultado de buscas na residência e no “consultório” do visado, foi-lhe feita a apreensão de um elevado número de comprimidos de um medicamento com uma substância activa (metilfenidato), constante da tabela legal de substâncias estupefacientes, cuja posse e comercialização é permitida apenas a médicos e farmacêuticos, numa situação que configura, pois, o crime de tráfico de estupefacientes.

De resto, o falso clínico, que exerceria a prática “médica” há largos anos, intitulando-se especialista em neuropsicologia clínica, teria já uma vasta clientela que atendia no seu consultório, da qual fazia parte grande número de crianças.
De registar que também lhe foi apreendida uma grande quantidade de impressos para receitas médicas, atestados médicos, vinhetas de vários médicos utilizadas pelo detido nas receitas que passava, para além de diverso outro material médico, literatura da especialidade, vários diplomas de cursos de pós-graduação clínica e certificados como conferencista em encontros médicos, sendo que, em termos de habilitações, frequentou apenas o curso de sociologia, não sendo titular, portanto, de licenciatura em medicina ou, mesmo, de qualquer outro curso superior.
O detido vai ser presente em tribunal, para interrogatório judicial e aplicação das medidas de coacção tidas por adequadas.
Fonte: Polícia Judiciária
Este caso faz-me lembrar outro muito semelhante noticiado no Diário de Notícias a 14 de Setembro de 2007, sobre um falso psiquiatra que exerceu durante 15 anos, apesar de ter apenas o antigo quinto ano do liceu.
O homem de 51 anos, conhecido como o Dr. Castro e Silva, tinha consultório no Porto, onde seguia cerca de 100 pessoas. Chegou mesmo a dar pareceres médicos ao Ministério Público no âmbito de processos em curso – para além dos inúmeros congressos e palestras em que participou e de consultas em clínicas privadas.
Acusado dos crimes de usurpação de funções, burla, falsificação de documentos, entre outros, foi condenado a 22 meses prisão, com a pena suspensa por igual período, e a uma multa de 1.500 euros.